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O som do silêncio, por
CT3FQ
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Os auscultadores
Não há nenhum radioamador que não
tenha uns auscultadores! E Porquê? Porque com eles
consegue-se uma melhor relação sinal ruído,
porque com eles evita-se perturbar o meio familiar envolvente,
e finalmente porque a XYL considera-os a maior invenção
do mundo pois acaba com a "matracada dos radios"
, resumindo, por todas as razões do mundo.
Como não sou diferente dos outros, os meus primeiros
auscultadores foram uns Telex Explorer que, diga-se, foi
uma má experiência. Além do mau som,
do péssimo isolamento, os Telex eram desconfortáveis
e, ao fim de algumas horas de escuta, coloquei-os, definitivamente,
na prateleira.
Esta primeira má experiência levou-me a tomar
mais cuidado nas futuras aquisições levando-me
a coleccionar uma meia dúzia de auscultadores exigindo
sempre mais da tecnologia disponível.
É sabido que alguns radioamadores escolhem a Heil
Sound como a melhor opção de auscultadores
porque estes já incluem o melhor microfone, não
se importando com a qualidade dos auscultadores. No entanto,
infelizmente, verifica-se que os Heil após uma hora
tornam-se incómodos, quentes e suados sendo incrivelmente
pobres a nível do isolamento dos ruídos externos,
ou seja, uma má escolha! Então qual será
a melhor opção?
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fig.1- Heil ProSet Plus
o preferido nos concursos
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Os parâmetros que fazem a diferença
O que se deve fazer primeiro é verificar as características
básicas do dispositivo onde se vai ligar, isto é,
a impedância, a voltagem máxima, e a largura
de Banda do equipamento. No Yaesu 1000mp a impedância
da saída para os auscultadores é de 35 ohms
mas noutros radios pode ter outro qualquer valor, isto é,
para uns radios uns modelos são bons, mas para outros
não. Uma certeza podemos ter: quanto mais próximo
estiver o valor da impedância dos auscultadores da
fonte do rádio, melhor é o acoplamento e consequentemente
melhor é o som! A maioria de nós já
verificou que para que se ter bom audio nalguns auscultadores
é necessário aumentar demasiado o volume (impedância
mais alta) mas noutros é preciso baixar demasiado
(baixa impedância). Como é óbvio nem
só a impedância restrige a nossa escolha, existem
outros factores como, a sensibilidade, o conforto, o isolamento,
a largura de Banda, e claro o preço, que irão
limitar em muito a preferência.
Pondo já de parte o preço por não
ser uma escolha técnica, chega-se rapidamente à
conclusão que quanto mais se maximizar os outros
factores, melhores são os auscultadores. Sabe-se
que uma maior sensibilidade (ganho) implica necessitar de
menos amplicador de audio, isto é, menos uma fonte
de ruído (hiss noise) no circuito. É
fácil encontrar auscultadores com valores excelentes
de sensibilidade na ordem dos 115dB/mW, sendo porém
muito mais difícil encontrar os que satisfaçam
simultaneamente os patamares mínimos de conforto
e isolamento. Normalmente os auscultadores selados (teóricamente
mais isolados) têm um problema de conforto pois precisam
de estar mais justos à orelha através duma
exagerada pressão mecânica dos seus tensores.
Este dilema isolamento/conforto criou uma guerra nos fabricantes
e fez surgir a tecnologia do cancelamento activo do ruído
(noise cancelling). Este novo tipo de auscultadores
estão dotados de microfones que captam o ruído
externo e que, por algoritmos mais ou menos complexos, geram
um sinal inverso ao próprio ruído que se anula
dentro dos auscultadores. Embora teóricamente fáceis
de compreender estes auscultadores revelaram-se excelentes
apenas na atenuação dos ruídos constantes,
como ventoinhas de computadores, amplificadores e nos ruídos
dos motores..
Na prática os 10dB de isolamento funcionam apenas
numa pequena faixa de frequências (20-300Hz) sem resultados
perceptiveis gerando
às vezes ainda mais ruído. Existem alguns modelos disponíveis
no mercado como os caros Bose Quiet Planet, os bem
cotados Solitude, os Proset QuietSound da
HeilSound, e os acessíveis da Sony.
Fiz o teste com um Sony MDRNC6 e conclui que além de uma excelente
sensibilidade (106dB/mW) tem um som excelente e são confortáveis
q.b. (até se tornarem quentes nas orelhas) mas que pecam
na ineficácia do cancelamento dos ruídos externos,
como é o caso da voz.
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fig.2- Os Solitudes com 18dB de cancelamento
de ruído
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Isolamento ao ruído
Sabemos que o ruído faz parte da comunicação
e que hoje o grande esforço da tecnologia das comunicações
centraliza-se no seu combate. Todos os elementos da comunicação,
desde a atmosfera, à antena, ao cabo coaxial e os
componentes do receptor adicionam alguns dBs de ruído
à comunicação por isso cada vez mais
se recorre à tecnologia dos DSPs (Digital Signals
Processors), aos filtros mais estreitos, e aos componentes
mais frios (MosFet, GasFets) , para que a comunicação
chegue inteligível ao interior dos nossos ouvidos.
Mas e se existir ruído perto do ouvido? Já
alguém experimentou ouvir de auscultadores um sinal
muito fraco com alguém a cantar ao lado? E mesmo
até o ruído da pequena ventoinha do PC não
incomoda? E subir o volume do som nos auscultadores resolve
o problema? Às vezes pensa-se que sim, mas o aumento
do som, aumenta a pressão no interior do canal do ouvido e pode,
em casos extremos, causar danos irreparáveis no sistema
auditivo.
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O som do silêncio
Afinal quais os melhores auscultadores do mundo? Por mais
estranho que pareça, os melhores auscultadores não
são auscultadores. Os EIM(Ear in Monitor)
ou In-the-ear phones não são auscultadores,
nem nada que se pareça, mas são, sem dúvida,
os melhores dispositivos de som do momento.
O EIMs são pequenos auriculares de alta fidelidade
que se introduz no canal do ouvido que bloqueiam com uma membrana de silicone os outros sons. Não se deve confundir estas pequenas
maravilhas do som com os vulgares ears bugs que se
usam nos leitores de MP3 e CDs portáteis, pois os
EIMs têm uma qualidade de som e isolamento acústico
fabulosos.
Claro que nestes casos o tamanho é inversamente
proporcional ao preço. A titulo de curiosidade os
E5C da SHURE com 122dB e 20-30dB de isolamento custam
à volta de $US500, mas ainda abaixo dos $US1000 dos exorbitantes Ultimate Ears UE-10 Pro.
Como os SHURE e os Ultimate Ears UE-10 Pro eram
impensáveis adquiri uns etymotic, com menos sensibilidade,
mas com muito melhor isolamento (30-40dB). E que posso dizer
sobre eles? No inicio são um pouco incomodativos
mas após um certo tempo deixa-se de dar por eles
e tornam-se muito confortáveis. Quando os colocamos
sem som, fica-se com a dúvida se estamos surdos,
mas quando se liga o som fica-se com a sensação
que se está num auditório silêncioso.
Para quem gosta de auscultadores grandes os Etymotic são
ridiculamente pequenos, mas para mim são a maior
invenção do mundo pois quando estou no radio,
já não escuto a XYL. É o som do silêncio!
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Fig. 3- Os ER6 da Etymotic
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CT3FQ
Carlos Neves, Novembro 2005
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