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Um concurso atribulado, por
CT3FQ
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O Objectivo
O meu principal objectivo era experimentar o novo filtro
712-C de 300Hz da INRAD em condições extremas
como são as dos concursos. Desta vez decidi operar
com o Writelog versão 10.45 em modo SO2R (single
operator two radios) com apenas um radio, ou seja, utilizaria
a dupla recepção mas apenas um emissor. Outra
experiencia que queria tentar era utilizar simultaneamente
dois notebooks pois o segundo notebook estava artilhado
com o software RITTY, com uma excelente placa de som e com
um DSP. Para meu espanto, o uso do 2º notebook revelou-se
a grande surpresa de todo o concurso, pois conseguia apanhar
os sinais mais fracos no meio da confusão.
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fig.1- CQ3A no QTH do CT3HV
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Uma história atribulada
Na sexta-feira à tarde arrumei o material de radio
que precisava e meti-o no carro, juntamente com uma grade
de cervejas - para o que desse e viesse - e fui para o QTH
do CT3HV. Há dois meses atrás tinha sido convidado
pelo Luis Jorge para fazer o CQWW RTTY 2004 no seu QTH na
Camacha. Para quem não conhece, a Camacha é
uma pequena vila a nordeste do Funchal que fica a mais de
600 metros de altitude que tem uma excelente abertura para
a Europa, mas que peca por ter uma montanha na direcção
dos Estados Unidos que penaliza muito os contactos para
esse País. O CT3HV tem apenas uma direcional hy-gain
TH3jr e um dipolo para 40 e 80 metros, ou seja, nada que
possa concorrer com os top contesters, mas
isso não me preocupava pois não estava ali
para vencer coisa alguma.
Montamos a estação em menos de uma hora.
Ligamos o Yaesu, o ACOM, os DSPs e todos os cabos necessários
para poder operar com os dois notebooks, e logo verificamos
que o cabo coaxial das antenas não chegava aos equipamentos.
O Problema foi logo resolvido com o acrescento de um pequeno
chicote de 3 metros.
Eram 23H00 e começamos a testar as antenas. A TH3jr
estava óptima com 1.4 nos 20 metros, 1.5 nos 15 e
1.3 nos 10 metros mas quando experimentamos o dipolo de
40/80 verificamos que nos 80 metros o SWR era demasiado
elevado para operar. Como já estava escuro decidimos
que no sábado iriamos tentar afinar os 80. Depois
fizemos "zapping" nas bandas e logo vimos que
a propagação não queria nada connosco
nessa noite.
O concurso só começava às 1H00 locais,
e para passar o tempo, tomamos um café (acompanhado
por um excelente rum cubano) e aproveitamos para por a conversa
em dia.
À 1H00 iniciei o contest nos 40 metros e até
às 5H00 da manhã fiz apenas 230 contactos
e, depois fui dormir.
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fig.2 Um dos raros Pileup nos 15 metros
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O primeiro azar
No sábado acordei tarde e, pelas 12 horas cheguei
ao QTH do Luis. Os 15 metros estavam com muita gente e decidimos
operar nessa banda. A conselho do Luis carreguei o ACOM
com 600 watts na TH3jr e recomeçei o CQ TEST. Depois
de dez minutos de pile up disse ao Luis que a propagação
tinha desaparecido. Quando olhei para o ACOM vi que o indicador
de SWR estava em 4.0, assustado disse ao Luis que tinha
queimado a antena.
O Luis não quiz acreditar e pensou logo que podia
ser o balun de fabrico próprio que ele tinha na TH3jr,
pois não era a primeira vez que isso acontecia. Interrompemos
a operação, retiramos o balun e verificamos
que o problema persistia. Decididamente: tinhamos derretido
os traps do dipolo da TH3jr!
Pensei logo em desistir, mas o Luis insistia que eu devia
continuar nos 40 metros nessa mesma noite. O mais engraçado
disto tudo é que a XYL do Luis estava a ouvir a conversa
e logo apareceu com cruzes de alecrim para afastar o "mau
olhado".
E parece que o alecrim resultou pois, após alguma
discussão - e pelo sim pelo não - testei o
dipolo dos 40 nos 21MHz e com a ajuda do ACOM reiniciei
o concurso nos 21Mhz.
Mais tarde e depois dos 15 metros, com a ajuda do tuner
do ACOM fizemos alguns contactos nos 20 e nos 10 metros.
Ao fim da tarde tentamos ainda tentar afinar o dipolo para
os 80 metros, mas a proximidade do telhado do QTH não
nos permitia sintonizá-la na banda, por isso optei
por não operar nos oitenta metros.
Depois do jantar com as XYLs regressamos aos 40 metros
e continuamos o concurso outra vez até de madrugada.
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Mais azares.
No Domingo, acordei novamente tarde, e lá pelas
11H00 voltamos a tentar os 15 metros com a antena dos 40.
No meio dos contactos alguém me pediu um sked
para os 20 e quando informei-o que não, porque estava
apenas a operar com um dipolo dos 40 metros, ele não
acreditou!
Infelizmente, passados alguns minutos o azar bateu-nos
à porta outra vez: tinhamos derretido o balun do
Dipolo dos 40 m! Seria necessário mais cruzes de
alecrim?
Soldamos uma PL femea de painel e fizemos ligação
directa ao dipolo pois era a nossa convicção
é que a partir de agora só derretendo o fio
de cobre do dipolo. O problema é que sem o balun
começamos a ter problemas de RFI nos computadores
e no software e por diversas vezes a unica solução
foi fazer um reboot! Seria mesmo azar?
Felizmente, regressado de férias da Ilha do Porto
Santo, o CT3CK fez-nos uma visita para dar apoio moral pois
bem precisavamos.
Continuamos nos 21 MHz e regressamos apenas aos 40 m nas
ultimas horas do concurso do Domingo.
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Fig. 3- O Writelog em SO2R
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Resumo
Resumidamente: fiz apenas 1200 contactos em 29 horas de
operação, mas diverti-me imenso. Não
é para isso que servem os concursos de rádio?
| Band |
QSO |
Pts |
Zn |
| 80m |
0 |
0 |
0 |
| 40m |
481 |
1437 |
21 |
| 20m |
30 |
90 |
7 |
| 15m |
687 |
2059 |
22 |
| 10m |
52 |
154 |
8 |
| Total |
1250 |
3740 |
58 |
| Score: 1,092,080 |
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Agradecimentos
Quero agradecer à familia do CT3HV por me ter recebido
muito bem no seu QTH e principalmente ao caloiro do CT3NK
(o filho do CT3HV) por nos ter ajudado no telhado com o
problema das antenas, pois sem essa ajuda teriamos inevitavelmente
de desistir prematuramente.
Eu não acredito em bruxas, mas que há...
há!
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Fig. 4- A visita do CT3CK ao local
da estação
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CT3FQ
Carlos Neves, Setembro 2004
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