ARRM, que futuro?
Já não sou sócio da ARRM. Demiti-me em 2005! Não sei ainda se foi uma atitude de coragem, de indignação ou de cobardia. Só sei que valeu a pena ter sido sócio da ARRM. Só sei que valeu a pena ter trabalhado com pessoas amáveis, como o saudoso Sr. Duarte Oliveira (CT3AP), ou como o profissional e exigente Timóteo Costa (CT3EV). Só sei que valeu a pena ter como colegas de Direcção Homens como o Carlos Pestana (CT3CK), o Carlos Fernandes (CT3CD), o Jorge Freitas (CT3EX) e o Luís Rodrigues (CT3HB) a quem, ainda hoje chamamos, por brincadeira “o louco”.
Não sou saudosista, mas lembro-me que tudo isto de bom aconteceu há muitos anos atrás. Na altura tínhamos menos uns anitos em cima, e quando somos novos e ingénuos, acreditamos na utopia do bem comum.
Com toda essa ingenuidade cometemos muitos erros, mas nunca precisamos de cometer nenhuma ilegalidade para conseguir atingir os objectivos. Nunca nenhum de nós tirou algum dividendo do trabalho efectuado. Nunca nenhum de nós sequer pensou em servir-se da ARRM, mas sim em servi-la. Era o nosso modo de estar na vida.
Fomos criticados? Sim, e muitas vezes com alguma razão, e em muitas outras fomos incompreensivelmente maltratados; a vida é assim! Mas valeu a pena? Penso que se perguntarmos a cada um de nós, todos seremos unânimes na resposta: sim, valeu a pena!
Valeu a pena termos conseguido duplicar o nº de sócios. Valeu a pena termos enchido a Associação continuamente aos Sábados. Valeu a pena termos estado presente nos maiores convívios de sempre, no maior field-day de sempre, termos tido a melhor rede de repetidores e de packet, e termos tido um serviço de QSL Bureau a funcionar.
Passados todos estes anos, ainda há uma pergunta à qual nenhum de nós sabe responder: O que restou de todo o nosso esforço? |
fig.1 O actual Logotipo da ARRM desenhado na altura pelo CT3HB |
O Estado Terminal.
Resta apenas um numero! Quarenta é o incrível número de sócios actuais com quotas pagas até Dezembro de 2005. E quantos já pagaram 2006? Não sendo vidente atrevo-me já a tentar adivinhar: catorze? Como é que se passa de mais de uma centena de sócios pagantes para apenas quarenta? E porque é que mais de metade desses quarenta nem aparecem nas Assembleias Gerais? O que é que está a acontecer? De quem é a culpa?
Não tenhamos quaisquer dúvidas, ou medo, em apontar o dedo aos eventuais responsáveis! Como é que a ARRM vai incentivar o aparecimento de novos sócios? O que pretende fazer para manter os actuais? Vai continuar com este presidente simpático(*), acessível e afável? Vai continuar a publicitar serviços que não funcionam? Ou radicalmente, vai usar a prepotência?
Já vimos que a prepotência não é solução. Foi chocante e deprimente ver na última Assembleia Geral o nosso colega CT3KN ter sido chamado de “garoto” e até de “javardo”, apenas porque - como é o seu direito - colocou algumas questões pertinentes.
Acho que chegou a altura de pararmos para pensar e questionarmos se tudo isto vale a pena, e se de algum modo podemos contribuir para que a ARRM volte ao que era. Não tenhamos esperanças, pois com o actual cenário duvido que hajam sócios em número suficiente, para quaisquer alternativas credíveis. Que podemos fazer? Lutar ou simplesmente desistir e esquecer?
Infelizmente essa luta já não é minha porque descobri que, tudo isto, faz parte da vida e sei que todas as coisas que amo, crescem, amadurecem, e morrem! E assim sendo, meus amigos, pelo que se vê é fácil concluir que a ARRM está já em fase terminal!
É triste. |