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Sendo um irmão quase gémeo do MARK-V, o Field veio substituir o FT-1000MP, por CT3FQ

O Yaesu FT-1000MP MARK-V Field é o mais recente da série de transceptores FT-1000 que vem continuar a sobremacia do mercado amador pela Yaesu e que dura há mais que uma década e que foi iniciada pelos FT-1000.

O Field tem a responsabilidade de herdar a fama da resistência aos anos e às horas incontáveis de uso em ambientes competitivos e exigentes do velhinho MP.

Esta substituição tem, desde o inicio, já garantido que a tecnologia básica funciona sem problemas há pelo menos 10 anos e baseia-se naquele que foi considerado o melhor transceptor entre os muitos Dxers: o1000MP!

O Mark V um fracasso?

A Yaesu depressa notou que o MARK V não teve a procura esperada como substituto do FT-1000 ou do 1000MP. A razões? A fonte de alimentação separada? E com muita pressa decidiu lançar no mercado um equipamento com o preço similar ao MP que tivesse a tecnologia do MarkV. O Field é um rádio diferente em alguns pormenores do MARK-V, as suas poucas e subtis diferenças irão ser explicadas e analisadas com maior detalhe nos parágrafos seguintes.

O original MARK-V, definitivamente, não é um rádio de dxpeditions, por ser pesado e necessitar de uma Fonte de Alimentação separada para alimentar o andar final de tecnologia Mosfet a 30Volts, além da agravante de opcionalmente não ter hipótese nenhuma de se alimentar com 12 volts .

 

A mais valia do Field sobre o Mark V é ter uma fonte de alimentação interna, e permitir a ligação externa a 13.8 Volts que por isso tem o nome de: Field (campo), mas cuja portabilidade é limitada apenas pelos seus quase 14Kg.

Externamente não há grandes novidades ou grandes diferenças no Field, quando comparadas com o original MARK-V ou mesmo ainda com o velhinho MP. A única diferença visivel , entre o Mark V e o Field é a palavra “Field” escrita no painel da frente.

Como se sabe o MARK V veio com cinco diferenças relativamente ao MP (daí o nome MARK 5):


A emissão em Classe A;
O IDBT;
O VRL;
O filtro Collins de 10 polos;
200 Watts Mosfet

Nessa ordem de ideias o Field no fundo não é pode ser um Mark V, mas sim - quanto muito- um Mark IV porque não tem o andar final de 200W a Mosfet.

A caixa do Field é mais compacta que o MARK V e não tem os dissipadores de arrefecimento, que -verdade seja dita - são descomunais, e que com o tempo irão ser um sitio de aderência de pó e sujidade.


Os erros do Field

Imperdoável é a YAESU manter no Field o mesmo s-meter digital do MARK5 que trás uma escala final de 400W porque mesmo com a potência no máximo a barra de “leds” só acende até um quarto, o que é frustante para um operador que gosta de ver a "voz" acender leds no radio porque no Field a potência não ultrapassa os 100W e mais frustante se torna quando se muda para os 25W da “Classe A”.

Para alguns Radioamadores, os 3dB de diferença entre 200 W e 100 W é apenas uma característica que diferencia os radios topo de gama. Porquê? Sinceramente acho que é apenas uma questão de vaidade, na minha opinião a diferenças das potência não pode ser uma característica de diferenciação pois muito dificilmente alguém conseguirá distinguir meio sinal "S" ao indicar um signal report, e também sabemos que a maioria dos amplificadores de RF existentes no mercado precisa apenas de 60 Watts para colocar a potência no máximo.

Infelizmente O Field herda do seu antecessor a complexidade dos menus de configuração e o problemático display. Não é fácil, sem recorrer a uma cábula, configurar o Field, e muitas vezes, depois de algumas configurações à portuguesa, é necessário fazer um reset.
Uma das surpresas encontradas residiu essencialmente na concepção do Firmware, como por exemplo, se desligarmos o 2ª receptor ficamos sem o monitor, porque o MP utiliza-o para monitorizarmos a nossa própria voz. Não seria lógico que mesmo com a opção do 2º receptor desligado, quando se ligasse o monitor ele activasse temporáriamente o 2o receptor?

Outro pormenor que verifiquei e que não encontrei qualquer explicação lógica, além da do eventual limite de processamento do DSP foi que quando se liga o IDBT, o Field desliga as outras opções de filtros que eventualmente estejam activas como os filtros de Contour e APF.

 

 

Os primeiros testes.

Não tenho equipamentos de teste (por falta de tem$o ...), por isso todas as análises seguintes são baseadas na chamada “medição do ouvido”, que é, como se sabe, a mais usada pelos radioamadores.


Liguei o Field (com a configuração de fábrica), e o meu velho ICOM 756 a um comutador de antenas e depois à minha antena Tennadyne T11, portanto, à partida, em condições idênticas de trabalho.

Os dois rádios são idênticos na inteligibilidade dos sinais recebidos. O audio do 1000MP é muito mais agradável que o do ICOM que depois de algumas horas torna-se cansativo.

Sem os filtros ligados o ICOM (9KHz + 2.4KHz) é mais selectivo do que o Field (6KHz + 2.4Khz), no entanto ligando o botão narrow do Field (2.4Khz + 2.4KHz) e a configuração (2KHz + 1.9KHz) no ICOM, o Field além de ficar com melhor audio absorve a interferência lateral.

Em condições de interferências (ruído atmosférico e humano) e utilizando apenas o NR (Noise Reduction) o Field distancia-se qualitativamente do 756 (mesmo sem ligar o IDT ou o VRF) sendo a diferença às vezes abismal, variando mesmo entre o imperceptível e o inteligível. Enquanto o Field tem apenas 4 posições de NR , o do icom é variável o que à partida parece ser uma vantagem, no entanto, verifica-se que o NR do ICOM nas posições máximas gera mais ruído do que tira.

O que mais surprendeu, e visto residir numa zona de ruído electromagnético foi o NB (Noise Blanker) do Field. Ao contrário do 756 o NB é programável para diferentes tipo de ruídos, e logo depois de algumas configurações no menu do NB consegui eliminar ruidos que nunca tinha sido possivel com o 756.

O IDBT não foi própriamente uma surpresa muito grande, o que o IDBT faz é adaptar a largura de Banda do audio em função da largura das FIs. pretendidas pelo operador, mas continuo a gostar mais do controlo do 756.

A Maior surpresa foi o VRF: Coloquei em emissão nos 80 m com 100 Watts, numa dipolo de fio que dista 3 metros da Tennadyne e liguei o Field nos 20 metros. Depois de ligar o VRF e com um pouco de paciência eliminei os derrames na recepção dos 20m sem perder o QSO! Abismal! Será que em contests Multi/multi e com as potências usuais o Mark V será um trunfo?

Os dois rádios têm a possibilidade de receber em duas frequências distintas, e aqui, uma vez mais o Field bate o 756 aos pontos. A capacidade do Field receber em distintivamente em “stereo” ambas as frequências em modos diferentes é uma mais valia para a inteligibilidade dos sinais. O que à partida parecia ser um pequeno pormenor da YAESU veio a verificar-se ser um grande trunfo para quem, por exemplo em concurso, quer fazer rapidamente multiplicadores. É muito mais fácil para o operador manusear os VFOs sabendo que o sinal ouvido no ouvido direito é do VFO da direita e vice-versa.
Embora o segundo receptor do Field não seja tão selectivo como o principal e inegávelmente pior do que o 756, sendo até um pouco ruidoso serve no entanto para o objectivo de multiplicadores num conteste.

Coloquei em recepção o meu pequeno FT-817 e usando o mesmo microfone da Heil (HC-4) alternadamente num e noutro equipamento verifiquei que qualidade do audio do Field na emissão é muito superior ao do ICOM.

Para mim o 756 continua a ser um excelente rádio, uso-o agora apenas para os 6 metros e para backup sendo, sem dúvida nenhuma, um radio extremamente fácil de operar. Para operar e configurar o Field é preciso o manual, no ICOM basta seguir os cursores do MENU, carregar no PTT e falar.

Conclusão


o Field é talvez o transceptor com o melhor audio e melhor recepção que escutei nos meus 20 anos de radio.

Talvez possa ser melhorado em termos de firmware e opções de DSP.

Em geral, a maior diferença entre o Field e o MARK-V parece ser o preço. Um bom investimento para quem gosta de radio e tem possibilidades de o adquirir.

73

 

Carlos Neves

CT3FQ

 
   

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